Professoras pernambucanas são finalistas do mais importante prêmio de educação básica do Brasil
13 de julho

Professoras pernambucanas são finalistas do mais importante prêmio de educação básica do Brasil

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Do JC

“A tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer”. Três professoras pernambucanas pareceram levar a sério a frase do físico Albert Einstein e, assim, conseguiram ultrapassar as barreiras pré existentes da didática. Com diferentes projetos, tornaram-se umas dos 50 finalistas da 23ª edição do ‘Prêmio Educador Nota 10’, maior reconhecimento da educação básica no Brasil. Este ano, os selecionados são de 19 estados e abrangem da Educação Infantil ao Ensino Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Fabíola Siqueira Pinto, Mirtes Ramos dos Santos Melo e Redjane Maria Nunes de Andrade, todas do Recife, foram escolhidas entre quase quatro mil projetos realizados em 2019. Todas ensinam em escolas e creches da rede pública municipal ou estadual, e usaram a criatividade para despertar a curiosidade, o diálogo e o encantamento de seus alunos com o objetivo de fazê-los aprender e explorar o desconhecido. Confira sobre o projeto de cada uma abaixo:

Projeto Forte das Cinco Pontas
A educadora Fabíola Siqueira Pinto orientou o trabalho “Por que, afinal, o tal forte só tem quatro pontas?” para alunos do 5º ano da escola Oswaldo Lima Filho, situada no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A professora debateu com as crianças as etapas de desenvolvimento do Forte das Cinco Pontas, construção erguida por holandeses em 1630 e localizada no bairro de São José, propondo que levantassem hipóteses, sugerissem questões norteadoras e atividades de estudos.

Estudantes foram levados até o Museu da Cidade do Recife, localizado no forte, para pesquisar as transformações sofridas no prédio e seus usos ao longo dos anos. A partir daí, buscaram informações complementares em sites como o da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ) e do próprio museu e viram um vídeo selecionado por Fabíola para obter respostas para suas indagações. Em 3 meses de projeto, aprenderam metodologias de pesquisa científica, conheceram mais sobre a história local e compreenderam a importância da preservação do patrimônio, além de socializar os conhecimentos adquiridos em duas feiras de cultura.

Aprendizagens das crianças: maravilhamento e experiências
Crianças da educação infantil foram o alvo do projeto de Mirtes Ramos dos Santos Melo, que usou materiais simples para interação. A equipe da creche percebeu o potencial de pesquisa e de aprendizagem dos pequenos. Papéis e caixas foram os primeiros elementos na sequência de atividades semanais planejada por Mirtes, que preparou uma instalação na sala com papéis higiênicos pendurados no teto. A brincadeira de puxar, pular e olhar para cima começou! Quando tudo veio ao chão, algumas crianças se enrolaram tal qual esculturas vivas de papel, enquanto outras observavam pelo buraco do cone de papelão.

Em outras ocasiões, panelas, copos, colheres de pau e bule estimularam batucadas na sala ou viraram utensílios no parque (ali descobriram que as tampas apertadas na areia formam desenhos inusitados). Flores e frutas, como as do jambeiro da creche, se tornaram tema de investigação. As crianças também exploraram o corpo e o movimento correndo entre lençóis, brincando com bacias e sacos com água – coisas simples que abrem muitas possibilidades de experimentação.

Dignity studies here
A professora de inglês Redjane Maria Nunes de Andrade construiu, em uma sala desocupada da escola, um espaço simbólico de diálogo. Ano a ano, os estudantes se apropriam das paredes, pintam e desenham, mudando os temas de acordo com as discussões do momento. No projeto Dignity studies here, refletiram sobre o conceito de dignidade e sobre ações dignas e indignas na escola, situada em uma violenta periferia do Recife.

Com base em entrevistas com funcionários – da merendeira à direção –, as turmas formularam suas próprias definições. Palavras relacionadas ao assunto compuseram a Dignibox, usada para jogos e atividades, fazendo circular o novo vocabulário. Interessada no uso da língua como ferramenta de transformação e construção de cidadania, Redjane apresentou aos jovens o discurso de Malala na ONU e um texto sobre a ativista. Também trabalhou a música Stand by me em versão do movimento Playing for Change, feito por e para crianças e adultos de vários países, muitos deles em situação de vulnerabilidade social.

Seleção
O Prêmio é dividido em três fases. Na primeira delas, são escolhidos 50 finalistas. Depois, dentre eles, serão selecionados os 10 vencedores e o Educador do Ano, reconhecidos ainda em 2020. Cada um dos premiados ganha um vale-presente no valor de R$ 15 mil. O Educador do Ano, escolhido pela Academia de Jurados, recebe outro vale-presente, também no valor de R$ 15 mil. As escolas dos vencedores também recebem uma verba para celebração.

A Academia de Selecionadores é composta por grandes especialistas em didáticas específicas, pesquisadores das principais universidades do país, orientadores de graduação e pós-graduação, além de formadores de gestores e de professores em suas respectivas disciplinas.

A decisão de não aceitar projetos iniciados em 2020 foi tomada em decorrência da covid-19, que paralisou as aulas presenciais e não permitiu o desenvolvimento integral de muitos projetos.

Sobre o Prêmio
O Prêmio Educador Nota 10 foi criado em 1998 pela Fundação Victor Civita que, desde 2014, realiza a premiação em parceria com Abril, Globo e Fundação Roberto Marinho. O Prêmio reconhece e valoriza professores da Educação Infantil ao Ensino Médio e também coordenadores pedagógicos e gestores escolares de escolas públicas e privadas de todo o país. Ao longo das 22 edições anteriores, foram premiados 281 educadores, entre professores e gestores escolares, que receberam aproximadamente R$ 2,85 milhões em prêmios no total.